O papel da música na saúde

Para além do fascínio que a música exerce sobre a grande maioria das pessoas, há muito tempo que se sabe que ela tem o condão de interferir com mecanismos cerebrais, estimulando determinados circuitos da massa cinzenta, funcionando como uma terapia.

Segundo especialistas, a música pode ajudar no tratamento da dor quando se recupera de uma cirurgia, na reabilitação de indivíduos que sofreram um AVC e ficaram com sequelas, e em situações de dores crónicas.

Os primeiros registos sobre os benefícios da música no tratamento de doenças remontam a publicações do século XVIII, altura a partir da qual se encetaram estudos nesta área. Independentemente de as descobertas não terem sido de monta, sabe-se hoje que árias aprazíveis suscitam a libertação de substâncias no organismo que originam sensações de prazer e bem-estar.

Um grupo de cientistas finlandeses da área da neurologia descobriu recentemente que a música estimula o sistema nervoso, ativando várias regiões do cérebro em simultâneo, o que nas pessoas em que essas zonas se encontram danificadas por um derrame, acelera o processo de recuperação. Por outro lado, ajuda a prevenir a depressão, tão frequente nestes pacientes.

Também no que concerne ao tratamento pós-cirúrgico, um artigo editado no jornal “Critical Care Medicine” refere existir uma resposta fisiológica efetiva à música por parte de enfermos intervencionados cirurgicamente. Mozart revelou possuir maior efeito sedativo do que os fármacos! Verificou-se uma diminuição da pressão sanguínea e dos batimentos cardíacos, a par de uma menor necessidade de recorrer a analgésicos e de uma descida dos níveis de algumas hormonas relacionadas com o stress.

Foi no término da Segunda Guerra Mundial que surgiu a ideia de convidar músicos para tocar em hospitais. Tal apoio no tratamento dos feridos aportou frutos tão positivos que as autoridades médicas americanas resolveram profissionalizar pessoas com o intuito de se recorrer à música como terapia. Então, em 1944, foi desenvolvido o primeiro curso de Musicoterapia, pela Universidade Estadual do Michigan, nos Estados Unidos.

A musicoterapia traduz o uso da música como instrumento de saúde, evidenciando a real possibilidade de reabilitar e prevenir doenças por meio dos sons. Presentemente, muitos médicos de diversas especialidades fazem uso da música como expediente terapêutico em patologias como a hipertensão e o cancro, e advogam que o método é um excelente complemento do tratamento convencional, capaz de reduzir as consequências da doença e, por conseguinte, o emprego de analgésicos e sedativos. O efeito desse tipo de terapia vai além do uso da música como tranquilizante ou como ferramenta para regozijar o paciente. Pesquisas caucionam que o tratamento robustece emocionalmente o doente, ajudando-o a lidar melhor com os sintomas da sua enfermidade.

A música pode estar mais associada à aptidão para tocar algum instrumento ou para cantar. Tem o condão de desenvolver potenciais intrínsecos, agindo ao nível da prevenção e do tratamento de afetações como o stress, o flagelo do século XXI. A musicoterapia é versátil, pelo que se pode usar individualmente, em família ou em grupo. Dirige-se a portadores de deficiências várias, distúrbios psíquicos que incluem a depressão, a esquizofrenia e o autismo, e tem ainda aplicação no âmbito da geriatria.

Em acréscimo, o treino musical fomenta o progresso cognitivo, a atenção, a memória, a destreza motora e cria unidade entre linguagem, música e movimento. Pitágoras atribuía à terapia através da música a designação de “purificação”. Segundo ele, a música curativa destina-se a (re)equilibrar as quatro funções básicas do ser humano: «pensar, sentir, perceber e intuir».

Outra realidade onde a musicoterapia tem uma utilização crescente diz respeito ao aumento exponencial de idosos institucionalizados. O internamento do idoso em lares surge, normalmente, da impossibilidade da família em tomar conta do seu velho ou na sequência do stress e/ou esgotamento físico do cuidador após doença prolongada do idoso, falta de tempo ou intolerância à senilidade.

Desenraizados e vulneráveis, a música tem a dita de amenizar as mudanças radicais que os idosos enfrentam quando são internados, os imensos fatores de desestabilização a que ficam sujeitos, desde as novas regras do dia a dia até à coabitação com pessoas desconhecidas e que não escolheram para compartilhar o espaço e a vida, e, sobretudo, a perda dos vínculos com familiares, amigos e vizinhos. Os idosos sentem-se isolados, desvalorizados, desprovidos de autoestima e, muitas vezes, da própria identidade.

O fato de a população estar cada vez mais envelhecida exige políticas de saúde específicas, mormente virada para a conservação da capacidade funcional dos seniores. Atualmente, buscam-se novas modalidades de tratamento, com uma abordagem multidisciplinar, no sentido da conceção da pessoa idosa com um todo, harmonizando estrutura física e mental.
Neste contexto, a utilização da música revela-se um meio eficaz na solução de conflitos internos, na expressão de emoções, na evocação de lembranças e no reavivamento de factos inconscientes. A memória reativada converte a velhice em tempo de recordar, dando azo a reconstruir e reviver episódios significativos da sua juventude e repensar, com as imagens do presente, as experiências do passado.

Ouvir música é saudável para toda a gente. Alivia tensões, ajuda a refletir, transporta-nos para cenários prazerosos, cura-nos. Qual a importância da música na sua saúde a na sua vida?

Saber mais em: http://www.ruadireita.com/

Emílio Santiago morre aos 66 anos, no Rio de Janeiro


Cantor estava internado na CTI do Hospital Samaritano  
Ele havia sofrido um acidente vascular cerebral. 

 - Com informações de Cristiane Cardoso, do G1 - 
O cantor Emílio Santiago, de 66 anos, morreu na manhã desta quarta-feira (20) no Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. 
De acordo com o hospital, o artista morreu em função de complicações decorrentes de um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC) que sofreu em 7 de março.

Emílio Vitalino Santiago morreu às 6h30, após permanecer 13 dias internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI). O velório do cantor será realizado na Câmarara de Vereadores do Rio, no Centro, a partir das 12h desta quarta, e será aberto ao público. O enterro do artista acontecerá às 11h desta quinta-feira (21) no Memorial do Carmo, no Caju, na Região Portuária do Rio. Ele será enterrado ao lado do local onde sua mãe foi sepultada.

Vencedor de diversos festivais de música, Emílio iniciou a carreira na década de 70 e gravou grandes sucessos como "Saygon", "Lembra de mim" e "Verdade chinesa". O último disco do cantor foi "Só danço samba (ao vivo)", lançado em 2012, junto com um DVD.

Paixão pela música
Emílio Santiago nasceu em 1946 na cidade do Rio. Formou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito, mas a paixão pela música fez com que ele iniciasse sua carreira participando de diversos festivais de música, sendo vencedor de muitos deles. "Transas de amor", seu primeiro compacto, saiu em 1973. A estreia em um álbum cheio aconteceu dois anos mais tarde. Autointitulado, o trabalho trazia interpretações de canções de nomes como Ivan Lins, Gilberto Gil, Nelson Cavaquinho e Jorge Ben.

Conhecido pelo tom de voz ao mesmo tempo grave e suave, o cantor apresentou diferentes gêneros durante sua carreira, mas esteve especialmente voltado para a música romântica, a MPB e o samba.
Em 1988, lançou "Aquarela brasileira", o primeiro disco da série criada por Roberto Menescal e Heleno Oliveira. O álbum trouxe a releitura de 20 clássicos da música brasileira, como "Sampa" (Caetano Veloso), "Anos dourados" (Chico Buarque e Tom Jobim) e "Eu sei que vou te amar" (Tom Jobim e Vinicius de Moraes).



A série "Aquarela brasileira", responsável por aumentar consideravelmente sua popularidade no país, teve mais seis volumes, o último deles lançado em 1995. Um de seus mais importantes trabalhos, "Feito para ouvir", de 1977, foi reeditado pela Dubas Musica em 2009.
Outro relançamento em sua carreira aconteceu em 1989 com "Brasileiríssimas", seu segundo disco, originalmente de 1976. Entre seus maiores sucessos estão "Saigon", "Verdade chinesa", "Lembra de mim", "Vai e vem", "Tudo que se quer" e "Flor de lis".

Seu último disco saiu em 2012, uma versão ao vivo de "Só danço samba", de 2010 – que,  por sua vez, foi o primeiro trabalho do selo Santiago Music. O álbum é uma homenagem ao  "rei dos bailes" Ed Lincoln, trazendo canções que fizeram sucesso nos clubes do Rio de Janeiro nos anos 60, além de músicas atuais de artistas como Mart'nália, Jorge Aragão e Dona Ivone Lara. Ao todo, sua discografia conta com 30 álbuns e 4 DVDs.

História Musical
Frequentando a faculdade de Faculdade Nacional de Direito na década de 1970, onde formou-se por insistência dos pais, Emílio Santiago começou a cantar em festivais universitários nesta mesma década e  chegou às finais no programa de Flávio Cavalcanti, na extinta TV Tupi e trabalhou como crooner da orquestra de Ed Lincoln, além de muitas apresentações em boates e casas de espetáculos noturnas.
Em 1973 lançou o primeiro compacto pela Polydor, com as canções Transa de amor e Saravá Nega, que ocasionou maiores participações em rádios e programas televisivos.


O primeiro LP foi lançado pela CID em 1975, com canções esquecidas de compositores consagrados como Ivan Lins, João Donato, Jorge Benjor, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Marcos e Paulo Sérgio Valle, dentre outros. Transferiu-se no ano seguinte para a Philips/Polygram, permanecendo neste selo até 1984, pelo qual lançou dez álbuns - todos com pouca repercussão. Foi escolhido como melhor intérprete no Festival dos Festivais, da TV Globo em 1985, com a canção Elis Elis.

O sucesso veio na verdade em 1988, quando lançou o LP Aquarela Brasileira pela Som Livre, um projeto especial de sete volumes, dedicado exclusivamente ao repertório de música brasileira; o projeto ultrapassou a marca de quatro milhões de cópias vendidas.
Nesta época, lançou também outros projetos especiais, como um tributo ao cantor Dick Farney (Perdido de amor, 1995) ou regravando clássicos do bolero hispânico (Dias de luna, 1996).

Assinou com a Sony Music em 2000. O disco que marca a estreia na nova gravadora é Bossa Nova, que trouxe muitos clássicos do gênero e também rendeu um DVD. Prosseguiu com Um sorriso nos lábios (2001), um tributo a Gonzaguinha e outro ao compositor acreano João Donato em 2003.

Emílio Santiago com Roberto Menescal, Alcyone e Erasmo Carlos, em 2004.

Um dos mais recentes álbuns foi O melhor das aquarelas ao vivo, onde reviu o repertório de música brasileira que gravou a partir do álbum Aquarela Brasileira (1988), e que entre os méritos conta ser o primeiro disco ao vivo de Emílio e o segundo DVD da carreira, após Bossa nova.

Emílio Santiago tentava recuperar-se de um AVC que o acometeu no dia 7 de março de 2013, porém o quadro de saúde agravou-se, e neste dia 20 de março de 2013 o cantor faleceu aos 66 anos no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro.

Discografia
1975 - Emílio Santiago
1976 - Brasileiríssimas
1977 - Comigo é assim
1977 - Feito pra ouvir
1978 - Emílio
1979 - O canto crescente de Emílio Santiago
1980 - Guerreiro coração
1981 - Amor de lua
1982 - Ensaios de amor
1983 - Mais que um momento
1984 - Tá na hora
1988 - Aquarela Brasileira
1989 - Aquarela Brasileira 2
1990 - Aquarela Brasileira 3
1991 - Aquarela Brasileira 4
1992 - Aquarela Brasileira 5
1993 - Aquarela Brasileira 6
1995 - Aquarela Brasileira 7
1995 - Perdido de amor
1996 - Dias de luna
1997 - Emílio Santiago
1998 - Emílio Santiago
1998 - Preciso dizer que te amo
2000 - Bossa nova
2001 - Um sorriso nos lábios
2003 - Emílio Santiago encontra João Donato
2005 - O melhor das Aquarelas - ao vivo
2007 - De um jeito diferente
2010 - Só Danço Samba


Emílio Santiago 1946 - 2013

Elis Regina completaria hoje 68 anos


Elis Regina Carvalho Costa, a nossa querida cantora Elis Regina, completaria 68 anos hoje, 17 de março de 2013 
Elis nasceu em Porto Alegre - RS em 17 de março de 1945 e nos deixou em São Paulo - SP, no dia 19 de janeiro de 1982.
Foi uma das maiores intérpretes brasileiras. Conhecida por sua presença de palco histriônica, sua voz e sua personalidade, Elis Regina é considerada por muitos críticos, comentadores e outros músicos a melhor cantora brasileira de todos os tempos.

Com os sucessos de Falso Brilhante e Transversal do Tempo, ela inovou os espetáculos musicais no país e era capaz de demonstrar emoções tão contrárias, como a melancolia e a felicidade, numa mesma apresentação ou numa mesma música.

Como muitos outros artistas do Brasil, Elis surgiu dos festivais de música na década de 1960 e mostrava interesse em desenvolver seu talento através de apresentações dramáticas.
Seu estilo era altamente influenciado pelos cantores do rádio, especialmente Ângela Maria, e a fez ser a grande revelação do festival da TV Excelsior em 1965, quando cantou "Arrastão" de Vinicius de Moraes e Edu Lobo. Tal feito lhe conferiu o título de primeira estrela da canção popular brasileira na era da TV.
Enquanto outras cantoras contemporâneas como Maria Bethânia haviam se especializado e surgido em teatros, ela deu preferência aos rádios e televisões.

Seus primeiros discos, iniciando com Viva a Brotolândia (1961), refletem o momento em que transferiu-se do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro, e que teve exigências de mercado e mídia.
Transferindo-se para São Paulo em 1964, onde ficaria até sua morte, logrou sucesso com os espetáculos do Fino da Bossa e encontrou uma cidade efervescente onde conseguiria realizar seus planos artísticos.
Em 1967, casou-se com Ronaldo Bôscoli, diretor do Fino da Bossa, e ambos tiveram João Marcelo Bôscoli.

Elis Regina aventurou-se por muitos gêneros; da MPB, passando pela bossa nova, o samba, o rock ao jazz. Interpretando canções como "Madalena", "Como Nossos Pais", "O Bêbado e a Equilibrista", "Querelas do Brasil", que ainda continuam famosas e memoráveis, registrou momentos de felicidade, amor, tristeza, patriotismo e ditadura militar no país.

Ao longo de toda sua carreira, cantou canções de músicos até então pouco conhecidos, como Milton Nascimento, Ivan Lins, Renato Teixeira, Aldir Blanc, João Bosco, ajudando a lançá-los e a divulgar suas obras, impulsionando-os no cenário musical brasileiro.
Entre outras parcerias, é célebre os duetos que teve com Jair Rodrigues, Tom Jobim, Simonal, Rita Lee, Chico Buarque—que quase foi lançado por ela não fosse Nara Leão ter o gravado antes—e, por fim, seu segundo marido, o pianista César Camargo Mariano, com quem teve os filhos Pedro Mariano e Maria Rita.
Mariano também ajudou-a a arranjar muitas músicas antigas e dar novas roupagens a elas, como com "É Com Esse Que Eu Vou".

Sua presença artística mais memorável talvez esteja registrada nos álbuns Em Pleno Verão (1970), Elis & Tom (1974), Falso Brilhante (1976), Transversal do Tempo (1978), Saudade do Brasil (1980) e Elis (1980). Ela foi a primeira pessoa a inscrever a própria voz como se fosse um instrumento, na Ordem dos Músicos do Brasil.[9] Elis Regina morreu precocemente em 1982, com apenas 36 anos, deixando uma vasta obra na música popular brasileira. Embora haja controvérsias e contestações, os exames comprovaram que havia morrido por conta de altas doses de cocaína e bebidas alcoólicas, e o fato chocou profundamente o país na época.[10]

Filha de Romeu Costa e de Ercy Carvalho, Elis Regina nasceu no Hospital da Beneficência Portuguesa de Porto Alegre, na capital do Rio Grande do Sul. Tinha um irmão, Rogério (n. 1949). Começou a carreira como cantora aos onze anos de idade em um programa de rádio para crianças chamado O Clube do Guri, na Rádio Farroupilha, apresentado por Ari Rego.
Em Porto Alegre, sua família morava em um apartamento na chamada Vila do IAPI, no bairro Passo d'Areia, na Zona Norte da cidade. Revelando enorme precocidade, aos dezesseis anos lançou o primeiro LP da carreira.


Sobre o começo da carreira de Elis e a disputa entre quem de fato a lançou, o produtor Walter Silva disse à Folha de S. Paulo:
"Poucas pessoas sabem quem realmente descobriu Elis. Foi um vendedor da gravadora Continental chamado Wilson Rodrigues Poso, que a ouviu cantando menina, aos quinze anos, em Porto Alegre. Ele sugeriu à Continental que a contratasse, e em 1962 saiu o disco dela. Levei Elis ao meu programa, fui o primeiro a tocar seu disco no rádio. Naquele dia eu disse: Menina, você vai ser a maior cantora do Brasil". Está gravado.

Década de 1960, surge uma estrela
Em 1960 foi contratada pela Rádio Gaúcha, e em 1961 viajou ao Rio de Janeiro, onde gravou o primeiro disco, Viva a Brotolândia. Lançou ainda mais três discos enquanto morava no Rio Grande do Sul.
Em 1964, um ano com a agenda lotada de espetáculos no eixo Rio-São Paulo, assinou um contrato com a TV Rio para participar do programa Noites de Gala; é levada por Dom Um Romão para o Beco das Garrafas sob a direção da dupla Luís Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli, com os quais ainda realizaria diversas parcerias, e um casamento com Bôscoli em 1967.
Acompanhada agora pelo grupo Copa trio, de Dom Um, canta no Beco das Garrafas, o reduto onde nasceu a bossa nova, e conhece o coreógrafo americano Lennie Dale, que a ensinou a mexer o corpo para cantar, tirando aquele nado que ela tinha com os braços.
Participa do espetáculo Fino da Bossa organizado pelo Centro Acadêmico da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, que ficou conhecido também como Primeiro Demti-Samba, dirigido por Walter Silva, no Teatro Paramount, atual Teatro Abril.
Ao final do mesmo ano (1964) conhece o produtor Solano Ribeiro, idealizador e executor dos festivais de MPB da TV Record. Um ano glorioso, que ainda traria a proposta de apresentar o programa O Fino da Bossa, ao lado de Jair Rodrigues. O programa, gravado a partir dos espetáculos e dirigido por Walter Silva, ficou no ar até 1967 (TV Record, Canal 7, SP) e originou três discos de grande sucesso: um deles, Dois na Bossa, foi o primeiro disco brasileiro a vender um milhão de cópias. Seria dela agora o maior cachê do show business.

Estilo musical
O estilo musical interpretado ao longo da carreira percorria assim o "fino da bossa nova", firmando-se como uma das maiores referências vocais deste gênero. Aos poucos, o estilo MPB, pautado por um hibridismo ainda mais urbano e 'popularesco' que a bossa nova, distanciando-se das raízes do jazz americano, seria mais um estilo explorado. Já no samba consagrou Tiro ao Álvaro e Iracema (Adoniran Barbosa), entre outros. Notabilizou-se pela uniformidade vocal, primazia técnica e uma afinação a toda prova. O registro vocal pode ser definido como de uma mezzo-soprano característico com um fundo levemente metálico e vagamente rouco.
Desde a década de 1960, quando surgiram os especiais do Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), até o final da década de 1980, a televisão brasileira foi marcada pelo sucesso dos espetáculos transmitidos; apresentando os novos talentos, registravam índices recordes de audiência.
No Festival conheceu Chico Buarque, mas acabou desistindo de gravá-lo devido à impaciência com a timidez do compositor.
Elis participou do especial Mulher 80 (Rede Globo), um desses momentos marcantes da televisão; o programa exibiu uma série de entrevistas e musicais cujo tema era a mulher e a discussão do papel feminino na sociedade de então, abordando esta temática no contexto da música nacional e da inegável preponderância das vozes femininas, com Maria Bethânia, Fafá de Belém, Zezé Motta, Marina Lima, Simone, Rita Lee, Joanna, Elis Regina, Gal Costa e as participações especiais das atrizes Regina Duarte e Narjara Turetta, que protagonizaram o seriado Malu Mulher.

A antológica interpretação de Arrastão (Edu Lobo e Vinícius de Moraes), no Festival, escreveu um novo capítulo na história da música brasileira, inaugurando a MPB e apresentando uma Elis ousada. Uma interpretação inesquecível, encenada pouco depois de completar apenas 20 anos de idade e coroada com o reconhecimento do Prêmio Berimbau de Ouro. O Troféu Roquette Pinto veio na sequência, elegendo-a a Melhor cantora do ano.
Fã incondicional de Angela Maria, a quem prestou várias homenagens, Elis impulsionava uma carreira não menos gloriosa, possibilitando o lançamento do primeiro LP individual, Samba eu canto assim (CBD, selo Philips). Pioneira, em 1966 lançou o selo Artistas, registrando o primeiro disco independente produzido no Brasil, intitulado Viva o Festival da Música Popular Brasileira, gravado durante o festival. Mais uma vitoriosa participação no III Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), a canção O cantador (Dori Caymmi e Nelson Motta), classificando-se para a finalíssima e reconhecida com o prêmio de Melhor Intérprete.

Em 1968, uma viagem à Europa a lança no eixo musical internacional, conquistando grande sucesso, principalmente no Olympia de Paris, onde se tornou a primeira artista a se apresentar duas vezes num mesmo ano, naquela que é a mais antiga sala de espetáculos musicais de Paris
Em 1969, gravou Aquarela do Brasil em Estocolmo com Toots Thielemans.

Foi Elis quem também lançou boa parte dos compositores até então desconhecidos, como Milton Nascimento, Renato Teixeira, Tim Maia, Gilberto Gil, João Bosco e Aldir Blanc, Sueli Costa, entre outros. Um dos grandes admiradores, Milton Nascimento, a elegeu musa inspiradora e a ela dedicou inúmeras composições.

Anos de glória
Durante os anos 70, aprimorou constantemente a técnica e domínio vocal, registrando em discos de grande qualidade técnica parte do melhor da sua geração de músicos.
Patrocinado pela Philips na mostra Phono 73, com vários outros artistas, deparou-se com uma plateia fria e indiferente, distância quebrada com a calorosa apresentação de Caetano Veloso: "Respeitem a maior cantora desta terra". Em julho lançou Elis.
Em 1975, com o espetáculo Falso Brilhante, que mais tarde originou um disco homônimo, atinge enorme sucesso, ficando mais de um ano em cartaz e realizando quase 300 apresentações. Lendário, tornou-se um dos mais bem sucedidos espetáculos da história da música nacional e um marco definitivo da carreira.
Ainda teve grande êxito com o espetáculo Transversal do Tempo, em 1978, de um clima extremamente político e tenso; o Essa Mulher em 1979, direção de Oswaldo Mendes, que estreou no Anhembi em São Paulo e excursionou pelo Brasil no lançamento do disco homônimo; o Saudades do Brasil, em 1980, sucesso de crítica e público pela originalidade, tanto nas canções quanto nos números com dançarinos amadores, direção de Ademar Guerra e coreografia de Márika Gidali (Ballet Stagium); e finalmente o último espetáculo, Trem Azul, em 1981, direção de Fernando Faro.

Anos de chumbo
Elis Regina criticou muitas vezes a ditadura brasileira, nos difíceis Anos de chumbo, quando muitos músicos foram perseguidos e exilados. 
A crítica tornava-se pública em meio às declarações ou nas canções que interpretava. Em entrevista, no ano de 1969, teria afirmado que o Brasil era governado por gorilas (há ainda controvérsias em relação a essa declaração. Existem arquivos dos próprios militares onde ela se justifica dizendo que isso foi criado por jornalistas sensacionalistas).
A popularidade a manteve fora da prisão, mas foi obrigada pelas autoridades a cantar o Hino Nacional durante um espetáculo em um estádio, fato que despertou a ira da esquerda brasileira.
Sempre engajada politicamente, Elis participou de uma série de movimentos de renovação política e cultural brasileira, com voz ativa da campanha pela Anistia de exilados brasileiros.
O despertar de uma postura artística engajada e com excelente repercussão acompanharia toda a carreira, sendo enfatizada por interpretações consagradas de O bêbado e a equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc), a qual vibrava como o hino da anistia. A canção coroou a volta de personalidades brasileiras do exílio, a partir de 1979. Um deles, citado na canção, era o irmão do Henfil, o Betinho, importante sociólogo brasileiro. Também merece destaque, o fato de Elis Regina ter se filiado ao PT, em 1981.
Outra questão importante se refere ao direito dos músicos brasileiros, polêmica que Elis encabeçou, participando de muitas reuniões em Brasília. Além disso, foi presidente da Assim, Associação de Intérpretes e de Músicos.

Últimos momentos
Causando grande comoção nacional, faleceu aos 36 anos de idade em 19 de janeiro de 1982, devido a complicações decorrentes de uma overdose de cocaína, e bebida alcoólica. 
O laudo médico foi elaborado por José Luiz Lourenço e Chibly Hadad, sendo o diretor do IML Harry Shibata, médico conhecido por seu envolvimento no caso do jornalista Vladimir Herzog. Elis encontra-se sepultada no Cemitério do Morumbi em São Paulo.

Vida pessoal
Elis Regina é mãe de João Marcelo Bôscoli (n. 1970), filho do seu primeiro casamento com o músico Ronaldo Bôscoli (1928-1994), e de Pedro Camargo Mariano (n. 1975) e Maria Rita (n. 1977), filhos de seu segundo marido, o pianista César Camargo Mariano (n. 1943).

Acervo Elis Regina
Em 22 de setembro de 2005, inaugurou-se na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, um espaço memorial para abrigar o Acervo Elis Regina. Trata-se de uma coleção de fotografias, artigos, objetos, discos e outros tipos de materiais relacionados com a vida e a obra da cantora, tendo sido doado por fãs, jornalistas e amigos pessoais de Elis.


Frases de Elis
"Sempre vou viver como camicase. É isso que me faz ficar de pé".
"Me apaixonei pela minha voz".
"Neste país, só há duas que cantam: Gal e eu."
"Quero saber é do brasileiro, não estou preocupada em cromar minha orelha e sair para a rua para chamar a atenção".
"Um dia as pessoas vão descobrir que Dalva de Oliveira é a nossa Billie Holiday".
"Cantar, para mim, é sacerdócio. O resto é o resto."
"Me tomam por quem? Um imbecil? Sou algo que se molda do jeitinho que se quer? Isso é o que todos queriam, na realidade. Mas não vão conseguir, porque quando descobrirem que estou verde já estarei amarela. Eu sou do contra. Sou a Elis Regina do Carvalho Costa que poucas pessoas vão morrer conhecendo".

Discografia de Elis Regina
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.

1961 - Viva a Brotolândia
1962 - Poema de Amor
1963 - Elis Regina
1963 - O Bem do Amor
1965 - Samba - Eu Canto Assim
1966 - Elis
1969 - Elis - Como e Porque
1970 - Em Pleno Verão
1971 - Ela
1972 - Elis
1973 - Elis
1974 - Elis & Tom (com Antônio Carlos Jobim)
1974 - Elis
1976 - Falso Brilhante
1977 - Elis
1979 - Essa Mulher
1980 - Saudade do Brasil
1980 - Elis

Ao Vivo
Em Vida
1965 - Dois na Bossa (com Jair Rodrigues)
1965 - O Fino do Fino (com Zimbo Trio)
1966 - Dois na Bossa nº 2 (com Jair Rodrigues)
1967 - Dois na Bossa nº 3 (com Jair Rodrigues)
1970 - Elis no Teatro da Praia
1978 - Transversal do Tempo

Póstumos
1982 - Montreux Jazz Festival
1982 - Trem Azul
1984 - Luz das Estrelas
1995 - Elis ao Vivo
1998 - Elis Vive

Compactos
Simples
1961 - Dá Sorte / Sonhando
1961 - Dor de Cotovelo / Samba Feito pra Mim
1962 - Poporó Popó / Nos teus Lábios
1962 - A Virgem de Macarena / 1, 2, 3 Balançou
1965 - Menino das Laranjas / Sou sem Paz
1965 - Arrastão / Aleluia
1965 - Zambi / Esse Mundo É Meu / Resolução
1966 - Canto de Ossanha / Rosa Morena
1966 - Ensaio Geral / Jogo de Roda
1966 - Upa, Neguinho / Tristeza que se Foi
1966 - Saveiros / Canto Triste
1967 - Travessia / Manifesto
1968 - Yê-melê / Upa, Neguinho
1968 - Samba da Benção / Canção do Sal
1968 - Lapinha / Cruz de Cinza, Cruz de Sal
1969 - Casa Forte / Memórias de Marta Saré
1969 - Tabelinha Elis x Pelé (Perdão Não Tem / Vexamão) Elis cantando duas músicas de Pelé
1972 - Águas de Março / Entrudo
1972 - Águas de Março / Cais
1979 - O Bêbado e a Equilibrista / As Aparências Enganam
1980 - Moda de Sangue / O Primeiro Jornal
1980 - Alô, Alô Marciano / No Céu da Vibração
1980 - Se Eu Quiser Falar com Deus / O Trem Azul

Duplos
1966 - Menino das Laranjas / Último Canto / Preciso Aprender a Ser Só / João Valentão
1966 - Pout-Porri de Samba / Sem Deus, com a Família / Ué
1966 - Saveiros / Jogo de Roda / Ensaio Geral / Canto Triste
1968 - Deixa / A Noite do meu Bem / Noite dos Mascarados / Tristeza
1969 - Andança / Samba da Pergunta / O Sonho / Giro
1970 - Madalena / Fechado pra Balanço / Falei e Disse / Vou Deitar e Rolar
1971 - Nada Será como Antes / A Fia de Chico Brito / Osanah / Casa no Campo
1972 - Águas de Março / Atrás da Porta / Bala com Bala / Vida de Bailarina
1975 - Dois pra lá, Dois pra Cá / O Mestre-sala dos Mares / Amor até o Fim / Na Batucada da Vida
1976 - Como Nossos Pais / Um Por Todos / Fascinação / Velha Roupa Colorida

Outros lançamentos, contendo registros inéditos em LP's
1968 - Elis Especial
1969 - Elis Regina & Toots Thielemans (com Toots Thielemans) — gravado na Suécia e lançado originariamente na Europa. Lançado no Brasil apenas em 1978. Também lançado com o título Aquarela do Brasil.
1969 - Elis Regina in London — gravado e lançado originariamente na Europa. Lançado no Brasil apenas em 1982.
1975 - Música Popular do Sul 1 - pela gravadora Discos Marcus Pereira com compositores e intérpretes gaúchos. Elis canta 4 canções: Boi Barroso, Alto da Bronze, Porto dos Casais e Os Homens de Preto.
1975 - O Grito - Som Livre. Trilha sonora da telenovela O Grito, que inclui Um Por Todos com letra e instrumental diferentes das apresentadas no álbum Falso Brilhante.
1979 - Elis Especial — disco lançado à revelia de Elis, reunindo faixas que não entraram em seus LPs anteriores.
1981 - Brilhante - Som Livre. Trilha sonora da telenovela Brilhante contendo a última gravação em estúdio de Elis, a música Me Deixas Louca.
2002 - 20 Anos de Saudade - Universal. Coletânea de gravações de diversos compactos e participações em outros discos coletivos das décadas de 60 e 70.
2006 - Pérolas Raras - Universal. Coletânea de gravações de diversos compactos e participações em outros discos coletivos das décadas de 60 a 80.

Participações
1980 - Raul Ellwanger - Bandeirantes Discos/WEA. Participação especial na faixa O Pequeno Exilado.
1980 - A Arca de Noé - Ariola/Universal. Projeto especial em que vários artistas gravaram canções de Vinicius de Moraes feitas para o universo infantil. Elis gravou a faixa A Corujinha (Vinicius de Moraes / Toquinho).

Caixas
1994 - Elis Regina no Fino da Bossa - gravadora Velas. Caixa comemorativa com três CDs de gravações ao vivo daquele programa de televisão, entre os anos de 1965 e 1967.

Canções em telenovelas e minisséries
Irene - tema de Véu de Noiva (telenovela), de 1970
Madalena - tema de A Próxima Atração (telenovela), de 1970
Verão Vermelho - tema de Verão Vermelho (telenovela), de 1970
Casa Forte / Andança - temas de A Revolta dos Anjos (Tupi) (telenovela), de 1972
Vida de Bailarina - tema de Tempo de Viver (Tupi) (telenovela), de 1972
Um por Todos - tema de O Grito (telenovela), de 1975, em versão alternativa
Fascinação - tema de O Casarão (telenovela), de 1976
Altos e Baixos - tema de Água Viva (telenovela), de 1980
Moda de Sangue - tema de Coração Alado (telenovela), de 1980; e de Torre de Babel (telenovela), de 1998.
Me Deixas Louca - tema de Brilhante (telenovela), de 1981
Folhas Secas - tema de O Homem Proibido (telenovela), de 1982; e de Louco Amor, (telenovela) de 1983
Tiro ao Álvaro - tema de Sassaricando (telenovela), de 1987
Aquarela do Brasil - tema de Kananga do Japão (Manchete) (telenovela), de 1989
Velho Arvoredo - tema de Felicidade (telenovela) , de 1991
Atrás da Porta - tema de De Corpo e Alma (telenovela), de 1992
Pra Dizer Adeus - tema de Éramos Seis (SBT) (telenovela), de 1994
Alô, Alô Marciano - tema de História de Amor (telenovela), de 1995
Redescobrir - tema de Razão de Viver (SBT) (telenovela), de 1996
Carinhoso - tema de Fascinação (SBT) (telenovela), de 1998
Moda de Sangue - tema de Torre de Babel (telenovela), de 1998
Só Tinha de Ser com Você - tema de Um Anjo Caiu do Céu (telenovela), de 2001
Como Nossos Pais - tema de Estrela Guia (telenovela), de 2001
O Que Foi Feito Deverá - tema de Esperança (telenovela), de 2002
Atrás da Porta - tema de O Quinto dos Infernos (minissérie), de 2002
Atrás da Porta - tema de Canavial de Paixões (SBT) (telenovela), de 2003
Qualquer Dia - tema de Olhos d'Água (Bandeirantes) (telenovela) , de 2004
As Aparências Enganam - tema de Belíssima (telenovela), de 2005
Alô, Alô Marciano - tema de abertura de Cobras e Lagartos (telenovela), de 2006
Fascinação - tema de O Profeta (telenovela), de 2006
Corsário - tema de Pé na Jaca (telenovela), de 2006
É Com Esse Que Eu Vou - tema de Paraíso Tropical (telenovela), de 2007
Boa Noite, Amor - tema de Eterna Magia (telenovela), de 2007
O Bêbado e o Equilibrista / O Que Foi Feito Deverá / Aos Nossos Filhos / Alô, Alô, Marciano / As Aparências Enganam / Redescobrir / Sabiá / Tatuagem / Mundo Novo, Vida Nova / Conversando no Bar / Gracias a La Vida - temas de diversos personagens de Queridos Amigos (minissérie), em 2008.
Redescobrir - tema de abertura de Ciranda de Pedra (telenovela), em 2008.
Dois Para Lá, Dois Para Cá - tema de Caminho das Índias (telenovela), em 2009.
Tiro ao Álvaro - tema de Uma Rosa com Amor (SBT) (telenovela), de 2009
20 Anos Blue - tema de Insensato Coração (telenovela), de 2011
Preciso Aprender a Ser Só - tema de Amor e Revolução (SBT) telenovela, de 2011
Aprendendo a Jogar - tema de Vidas em Jogo (Record) (telenovela), de 2011

Obs.: As telenovelas e minisséries relacionadas nesta lista foram transmitidas pela Rede Globo de Televisão, exceto quando indicado ao contrário.

MPB: um pouco de história


  - Da Revista CULT - 
A sigla “MPB” apareceu na língua portuguesa em algum momento dos anos 1960, como uma abreviação de “música popular brasileira”. Mas o que se entendia então, e o que se entende hoje, por “música popular brasileira”? 
A popularidade da música é algo de difícil definição, e, quem sabe, apenas um pouco menos volátil que a popularidade dos políticos.

Talvez seja útil recuar um pouco na história. No século 19, por exemplo, não se falava, salvo engano, em música popular brasileira. Até a libertação dos escravos, estes não eram legalmente considerados como parte do “povo”, e suas formas de expressão sonora não eram consideradas como “música popular”. Aliás, mesmo depois disto, havia quem nem visse razões para chamá-las de “música”.

O crítico literário Sílvio Romero, um dos primeiros a se interessar por estes assuntos, chamou seu livro aparecido em 1883 de Cantos populares do Brasil, e não Música popular do Brasil. Talvez, naquele momento, a expressão “música popular” pudesse ser vista como contraditória: a palavra “música” seria reservada para uma das Belas Artes, praticada e usufruída pela aristocracia do fino gosto; e pelo povo só na medida em que se identificasse com os valores daquela.

Como escreveu o pianista Arnaldo Estrela em 1931: “Este é o mês do carnaval. (…) Enquanto a Sra. Música no seu recolhimento austero  goza as férias de verão, a musa popular samba e canta ao léu das ruas.” (Citado em Andrade, 2004:30)

Por outro lado, no título escolhido por Romero, o emprego do qualificativo “do Brasil”, em vez de “brasileiro”, sugere que os cantos seriam cantados aqui, mas talvez não necessariamente criados aqui, ou de caráter intrinsecamente identificado ao país. (De fato, as pesquisas do crítico sergipano deram grande ênfase à permanência de canções portuguesas entre nós).

Mais tarde, nas primeiras décadas do século 20, Mário de Andrade e outros estudiosos consideraram que o povo brasileiro (formado, na concepção vigente, sobretudo pela população rural) tinha sido capaz de criar expressões musicais próprias,  às quais atribuíram grande valor tanto em termos de beleza, quanto de identidade cultural.
Esta música foi chamada de “popular”, e talvez a principal obra de síntese escrita sobre ela, da autoria da discípula de Mário de Andrade, Oneyda Alvarenga, teve por título Música popular brasileira (primeira edição em 1947).

Contudo, foi também nas primeiras décadas do século 20 que novas formas de expressão sonora, ligadas ao mundo das cidades, e também a novas formas de tecnologia (como os discos e o rádio), passaram a ganhar crescente importância no país.
Compositores como Sinhô, Noel Rosa, Ari Barroso, e intérpretes como Francisco Alves, Carmen Miranda e tantos outros, ganharam entre 1920 e 1940 um novo e logo imenso público, predominantemente urbano, de consumidores de discos e programas de rádio.
 Esta música, num primeiro momento, não foi chamada de “popular” – pelo menos não por pensadores da estirpe de Romero e Andrade. Tal palavra, para eles, estava por demais associada a certos ideais nacionais, incompatíveis com os ingredientes cosmopolitas e comerciais que, em maior ou menor medida, entravam na composição daqueles novos sambas, marchas e frevos. Esta música foi por isso  chamada de “popularesca”, palavra cuja conotação pejorativa não se pretendeu disfarçar.

No decorrer do século 20, porém, esta expressão foi abandonada, e a música urbana passou a ser conhecida como “popular”, adotando-se para a música rural a etiqueta de “folclórica”. A história destas mudanças ainda está para ser contada em detalhes, mas pode-se avançar algumas idéias. Em primeiro lugar, o monopólio do discurso sobre música por parte dos intelectuais tradicionais sofreu no período fortes abalos.
A nova música urbana já vinha com seus próprios intelectuais: Alexandre Gonçalves, autor de O choro; Francisco Guimarães, autor de Na roda do samba; Orestes Barbosa, autor de O samba (além de compositor); Almirante, radialista (além de cantor e compositor); Ari Barroso, radialista e vereador (além de pianista e compositor).

Todos eles tinham profundas ligações pessoais com a música sobre a qual vieram a manifestar-se como autores de livros, jornalistas, radialistas, e pelo menos em um caso, político. É natural que não quisessem chamá-la com uma etiqueta pejorativa como “popularesca”.
Em segundo lugar, os herdeiros de Sílvio Romero e Mário de Andrade passaram a adotar a expressão “música folclórica” em vez de “música popular”.

Esta mudança pode, por sua vez, ter duas explicações. A primeira, é que Renato Almeida e Oneyda Alvarenga entre outros, reconheceram na música dos rádios e dos discos não só o que poderíamos chamar de “popularidade adjetiva” (que seria a “popularesca”, sinônimo de aceitação ampla), mas também “popularidade substantiva”, associada aos nobres ideais da nacionalidade. (A outra face desta moeda, é que personagens depois considerados como ilustres pioneiros da MPB –  como Pixinguinha, Donga, Noel Rosa, Almirante – começaram sua carreiras fazendo músicas que, pelos padrões dos anos 1960-70, seriam consideradas “folclóricas”).
A segunda explicação é que a cultura anglo-americana substituiu a cultura francesa como influência dominante no país. Na França, usa-se (ainda hoje) a expressão musique populaire, e não musique folklorique, para designar as expressões sonoras rurais de caráter tradicional. Em inglês, estas são ditas folk music, enquanto popular music corresponde grosso modo ao “música popular” da sigla MPB.

Assim, nos anos 1950 aparece no Rio de Janeiro a Revista de música popular que tem como tema central os compositores e intérpretes do rádio e dos discos. Em 1976, Zuza Homem de Mello publica um livro com o mesmo título daquele que Oneyda Alvarenga publicara em 1947, Música popular brasileira. O conteúdo, entretanto, mudara inteiramente.
Agora, falava-se de bossa-nova, e não de bumba-meu-boi; e os personagens não eram mais agricultores anônimos, mas Tom Jobim, Chico Buarque, Elis Regina e seus colegas. Ainda mais interessante, da mesma maneira como o público havia entendido nos anos 1940 o significado do título do livro de Alvarenga, entendeu nos anos 1970 o do livro de Homem de Melo.

E a sigla MPB? Ao que tudo indica, ela aparece no início dos anos 1960, mas não se sabe o momento exato.
Um dos seus primeiros registros conhecidos é o nome do conjunto MPB-4. 
Segundo o Dicionário Cravo Albin (www.dicionariompb.com.br):
“O histórico do grupo remonta a 1962, inicialmente com formação de trio, integrado por Ruy, Aquiles e Miltinho, responsáveis pelo suporte musical do Centro Popular de Cultura da Universidade Federal Fluminense (filiado ao CPC da UNE), em Niterói. A partir do ano seguinte, com a adesão de Magro, passou a atuar como Quarteto do CPC (…). Em 1964, com a extinção dos CPCs, Magro e Miltinho, na época estudantes de Engenharia, batizaram o conjunto como MPB-4, o que provocou por parte de Sérgio Porto o comentário de que o nome do quarteto parecia ‘prefixo de trem da Central do Brasil”.

O comentário de Sérgio Porto parece mostrar que a sigla, se não foi inventada pelo grupo, ainda não seria usual naquele momento. Mas a menção a uma outra sigla –  CPC –  é muito significativa neste contexto. Antes do golpe militar de 1964, se o grupo era conhecida como “Quarteto do CPC”, ele seria algo como o “CPC-4”. Depois do golpe,  os CPCs são proscritos, mas não parece improvável que a nova sigla de três letras, rima incluída, e com o “P” de povo por assim dizer no centro, tenha sido sugerida pela recente (e agora censurável) ligação do quarteto.
De fato, como argumentei em outro lugar (Sandroni, 2004), a sigla MPB condensa, além de significações musicais –  na qual “popular” se define por oposição a “folclórico” e “erudito” –  associações políticas, onde ecoam não apenas os CPCs de antes do golpe, mas também o MDB de depois do golpe.

A significação da sigla como etiqueta mercadológica é mais recente e talvez incompatível com as outras duas. A partir dos anos 1990, há uma crescente fragmentação do panorama musical, que põe em cheque a concepção de música-popular-brasileira como frente única e compactada. Tal mudança liga-se, entre outros fatores, à afirmação de identidades musicais regionais ou estaduais (mangue-beat pernambucano, axé baiano), transnacionais (rap, funk) ou de popularidade considerada meramente adjetiva – embora a palavra “popularesco” não tenha sido ressuscitada (forró estilizado, pagode romântico).

Neste contexto fragmentado, a MPB passa a ter uma segunda vida, designando agora uma parcela do mercado de consumo, uma prateleira entre as prateleiras das lojas de discos: aquela onde repousam os CDs de Chico Buarque, Djavan, Gal Costa e outros compositores e intérpretes surgidos para a fama nos anos 1960 e 1970.

Para concluir, acredito que a discussão sobre a situação da MPB pode ganhar com a contextualização histórica das concepções de “música”, “popular” e “brasileiro”. A MPB é um constructo cultural, e como tal nem sempre existiu e nem sempre quis dizer a mesma coisa.




Bibliografia:
Alvarenga, Oneyda. Música popular brasileira. São Paulo: Duas Cidades, 1982.
Andrade, Nivea Maria da Silva. Os significados da música popular : a revista Weco, revista de vida e cultura musical (1928-1931). Rio de  Janeiro: PUC-Rio, Departamento de História, 2004.
Mello, José Eduardo Homem de. Música popular brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 1976.
Sandroni, Carlos. “Adeus à MPB”. Em Decantando a República, B. Cavalcante, H. Starling e J. Eisenberg (orgs.), Rio de Janeiro: Nova Fronteira; São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004, p.23-35.
Romero, Sílvio. Cantos populares do Brasil. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1954.
Carlos Sandroni
é sociólogo, doutor em Música pela Universidade de Tours, na França, e professor da  Universidade Federal de Pernambuco. Autor do livro Feitiço decente: Transformações do samba no Rio de Janeiro, 1917-33, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2001

Brasil comemora o centenário do seu maior sanfoneiro, Luiz Gonzaga


No dia 13 de dezembro de 1912, uma sexta-feira, nascia em Exu (PE) o segundo dos nove filhos do casal Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus, que, na pia batismal da igreja matriz da cidade recebeu o nome de Luiz Gonzaga Nascimento.

Com apenas 8 anos de idade, ele substitui um sanfoneiro em festa tradicional na Fazenda Caiçara, no Araripe, Exu, a pedido de amigos do pai. Canta e toca a noite inteira e, pela primeira vez, recebe o que hoje se chamaria cachê. O dinheiro, 20 mil réis, "amolece" o espírito da mãe, que não o queria sanfoneiro.

A partir daí, os convites para animar festas - ou sambas, como se dizia na época - tornam-se frequentes. Antes mesmo de completar 16 anos, Luiz de Januário, Lula ou Luiz Gonzaga já é nome conhecido no Araripe e em toda a redondeza, como Canoa Brava, Viração, Bodocó e Rancharia.

Um século depois, muitas são as histórias que seus companheiros têm para contar desse homem que fez o povo brasileiro conhecer a dureza da vida no sertão, mas também levou muita alegria com sua sanfona para todo o país.
 - Da Agência Brasil - 

Leia mais sobre o centenário de Luiz Gonzaga aqui no site da RadionaInternet 


Aos 89 anos, morre a cantora Carmélia Alves, conhecida como a rainha do baião


A cantora Carmélia Alves, que ficou conhecida como rainha do baião, morreu na noite deste sábado (3), em decorrência de uma falência múltipla de órgãos. 
 - Do UOL - 
A informação foi confirmada pelo Hospital das Clínicas de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde a artista estava internada havia cerca de um mês.
O velório aconteceu na manhã deste domingo no Retiro dos Artistas, onde ela morava há dois anos.
Pelo Twitter, o ator Stepan Nercessian, presidente do Retiro dos Artistas, informou que o sepultamento foi marcado para as 14h30, no cemitério do Pechincha, próximo ao Retiro.
Carminha Mascarenhas, Carmélia Alves, Violeta Cavalcante e Ellen de Lima, 
estrelas do documentário "Cantoras do Rádio" .
Carreira 
Filha de nordestinos, a carioca cresceu ouvindo os ritmos da região, e, nos anos 50, ganhou o título de Rainha do Baião, na Rádio Nacional, pela interpretação de músicas de compositores como Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira e gravações com instrumentistas como o acordeonista paraibano Sivuca, a quem "descobriu" no Recife e trouxe para o Rio de Janeiro.
Capa de disco de Carmélia Alves, lançado na década de 60 pela gravadora Copacabana 

Carmélia Alves Curvello começou cantando Carmen Miranda, sua grande inspiração, nos anos 40. Foi eleita "a melhor crooner do Rio" quando fazia shows no Hotel Copacabana Palace, o palco mais elegante da cidade.
Participou dos mais importantes programas das rádios Mayrink Veiga e Nacional, além de filmes, e gravou com os conjuntos de Benedito Lacerda e Severino Araújo.

O baião "Sabiá na Gaiola" (Hervé Cordovil/ Mário Vieira) lhe deu sucesso nacional, e os LPs que viriam (mais de 50, vários por ano) lhe consagraram como uma das intérpretes mais populares do País na época.
A "corte do baião" era então formada por Luiz Gonzaga, o rei, ela e Claudette Soares, a princesa.
Mas Carmélia também cantava sambas, frevos, polcas, chulas e marchas.

Com o marido, o cantor Jimmy Lester, fez seguidas turnês internacionais. Eles foram casados por mais de 50 anos e não tiveram filhos.
LP com Luiz Gonzaga 
Em 1977, Carmélia e Luiz Gonzaga fizeram um show para 3 mil pessoas no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, em que cantaram os maiores clássicos da música nordestina.
Do encontro, nasceu o LP "Luiz Gonzaga e Carmélia Alves".

Veja Carmélia Alves cantando com Luiz Gonzaga Documentário "Cantoras do Rádio" :

A morte do marido Jimmy, em 1998, fez Carmélia cair em depressão, mas nos anos 2000 ela retornou aos palcos com Ellen, Violeta Cavalcanti e Carminha Mascarenhas no show Cantoras do Rádio - Estão voltando as flores.
Carminha, que vivia no Retiro e morreu no início deste ano, foi uma grande companheira de fim da vida. Em 2008, Carmélia estrelou  o documentário "Cantoras do Rádio", que prestou uma homenagem a 10 artistas femininas que se destacaram entre os anos 30 e 50 no rádio.

Veja o trailer do documentário "Cantoras do Rádio" :

- Com informações da Agência Estado -

Musica como terapia e seus beneficios


Trate seus problemas com música
De acordo com um estudo de Teppo Sarkamo, neurocientista da Universidade de Helsinki na Finlândia, há muito a se aproveitar da musica como terapia em casos como autismo, esquizofrenia  demência e derrame. 
Através de experiencias com um grupo de vitimas que sofreram derrame cerebral da artéria esquerda
 ou direita, a memorial verbal e o tempo de concentração foram melhorados em 60 % nos pacientes que ouviram musica, em 18 % nos que ouviram livros-áudio e em 29 % nos que não ouviram nenhum dos dois.
A partir desses resultados foi concluído que os pacientes de derrame que ouviram musica em doses diárias foram beneficiados em comparação aos que não ouviram. Musica e melodia aumentaram a liberação de dopamina, um hormônio neurotransmissor.
Descobertas anteriores apontaram ao fato que os níveis aumentados da dopamina incentivaram o alerta, o aumento do tempo de concentração, a velocidade de processar de informação e a memória em indivíduos saudáveis. Esta conclusão e descobertas de Teppo Sarkamo serviram de base para pesquisas futuras sobre a música como uma cura para muitas mais doenças humanas.

Musicoterapia
A musicoterapia é uma forma de tratamento que utiliza a música para ajudar no tratamento de problemas, tanto de ordem física quanto de ordem emocional ou mental.
A musicoterapia como disciplina teve início no século 20, após as duas guerras mundiais, quando músicos amadores e profissionais passaram a tocar nos hospitais de vários paises da Europa e Estados Unidos, para os soldados veteranos. Logo os médicos e enfermeiros puderam notar melhoras no bem-estar dos pacientes.
De lá para cá, a música vem sendo cada vez mais incorporada às práticas alternativas e terapêuticas. Em 1972, foi criado o primeiro curso de graduação no Conservatório Brasileiro de Música, do Rio de Janeiro. Hoje, no mundo, existem mais de 127 cursos, que vão da graduação ao doutorado.

Como atua o musicoterapeuta?
O musicoterapeuta pode utilizar apenas um som, recorrer a apenas um ritmo, escolher uma música conhecida e até mesmo fazer com que o paciente a crie sua própria música. Tudo depende da disponibilidade e da vontade do paciente e dos objetivos do musicoterapeuta. A música ajuda porque é um elemento com que todo mundo tem contato. Através dos tempos, cada um de nós já teve, e ainda tem, a música em sua vida.

A música trabalha os hemisférios cerebrais, promovendo o equilíbrio entre o pensar e o sentir, resgatando a “afinação” do indivíduo, de maneira coerente com seu diapasão interno. 

A melodia trabalha o emocional, a harmonia, o racional e a inteligência. 
A força organizadora do ritmo provoca respostas motoras, que, através da pulsação dá suporte para a improvisação de movimentos, para a expressão corporal.

O profissional é preparado para atuar na área terapêutica, tendo a música como matéria-prima de seu trabalho. São oferecidos ao aluno conhecimentos musicais específicos, voltados para a aplicação terapêutica, e conhecimentos de áreas da saúde e das ciências humanas. São oferecidas também vivências na área de sensibilização, em relação aos efeitos do som e da música no próprio corpo.

Indicações da musicoterapia
Sendo inerente ao ser humano, a música é capaz de estimular e despertar emoções, reações, sensações e sentimentos.Qualquer pessoa é susceptível de ser tratada com musicoterapia. Ela tanto pode ajudar crianças com deficiência mental, quanto pacientes com problemas motores, aqueles que tenham tido derrame, os portadores de doenças mentais, como o psicótico, ou ainda pessoas com depressão, estressadas ou tensas. Tem servido também para cuidar de aidéticos e indivíduos com câncer. Não há restrição de idade: desde bebês com menos de um ano até pessoas bem idosas, todos podem ser beneficiados.

Particularmente são indicados no autismo e na esquizofrenia, onde a musicoterapia pode ser a primeira técnica de aproximação. A musicoterapia é aplicável ainda em outras situações clínicas, pois atua fundamentalmente como técnica psicológica, ou seja, reside na modificação dos problemas emocionais, atitudes, energia dinâmica psíquica, que será o esforço para modificar qualquer patologia física ou psíquica. Pode ser também coadjuvante de outras técnicas terapêuticas, abrindo canais de comunicação para que estas possam atuar eficazmente.

Que música é a mais indicada?
Músicas com ritmo muito marcante, não servem para o relaxamento, como por exemplo, o rock. O ritmo do rock é constante, ao passo que no relaxamento, a tendência é diminuir o pulso e o ritmo da respiração.
Cada ritmo musical produz um trabalho e um resultado diferente no corpo. Assim há músicas que provocam nostalgia, outras alegria, outras, tristeza, outras melancolia, etc.

Alguns tipos de música podem servir de guia para as necessidades de cada pessoa. Bach, por exemplo, pode ajudar muito no aprendizado e na memória, Rossini, com Guilherme Tell e Wagner, com as Walkirias, ajudam especialmente no tratamento de pacientes com depressão. As valsas de Strauss podem contribuir e muito, para os momentos em que se necessita um maior relaxamento, estando bem indicadas para salas de parto. As marchas são um tipo de música que transmite energia, tão importante e escassa em áreas hospitalares de pacientes em convalescença.

Um bom exemplo disso tem sido o uso da musicoterapia, no auxílio do tratamento da doença de Alzheimer. Doença de caráter progressivo e degenerativo tem, entre seus primeiros sinais, o esquecimento, a dificuldade de estabelecer diálogos, as mudanças de atitude e a diminuição da concentração e da atenção. A musicoterapia ajuda a estimular a memória, a atenção e a concentração, o contato com a realidade e o esforço da identidade. Trabalha-se ainda a estimulação sensorial, a auto-estima e a expressão dos sentimentos e emoções.

A melhor ajuda que o tratamento dos pacientes, utilizando a música, pode proporcionar, é que ela, como terapia, torna os obstáculos da doença mais amenos e mais fáceis de serem ultrapassados.

Fonte: http://pt.shvoong.com/medicine-and-health/1774506-musica-como-terapia-seus-beneficios/#ixzz2AOdv1XZK

Criador da Vozoteca de São Paulo mostra seu acervo


O jornalista Luiz Ernesto Kawall explica como teve a ideia de criar uma vozoteca com variados registros sonoros em sua própria casa, em São Paulo. O acervo será doado para um instituto vinculado à USP (Universidade de São Paulo). 

Kawall possui depoimentos, discursos, canções antiga e outros tipos de áudios raros de personalidades como Getúlio Vargas, Fidel Castro, Alberto Santos Dumont, Carmen Miranda, Adolf Hitler e Monteiro Lobato, entre outros.
Reportagem: Márcio Padrão, do BOL
Imagens e edição: David Goldberg

Morre aos 87 anos o flautista e compositor Altamiro Carrilho

  - Da RadionaInternet.com.br -

O músico Altamiro Carrilho, de 87 anos, morreu de câncer, na manhã desta quarta-feira (15/8), no Rio de Janeiro  
Natural de Santo Antônio de Pádua, o flautista teve sua iniciação no mundo da música cedo, aos cinco anos ele já tirava som de uma flauta de bambu. A partir dos anos 70, ele foi bastante requisitado para tocar com cantores da MPB em shows e também em gravações de CD.



Altamiro Aquino Carrilho nasceu em 21 de dezembro de 1924, foi músico, compositor e flautista brasileiro. Este flautista virtuoso transversal já gravou mais de cem discos, compôs cerca de duzentas canções e já se apresentou em mais de quarenta países difundindo o choro brasileiro.

Ele chegou a compor mais de 200 canções, entre elas, versões de peças eruditas escritas por Bach, Beethoven, Mozart e Tchaikovski.



Altamiro se apresentou em maio na capital federal. O músico veio para participar do projeto Meu caro amigo Chico Buarque do Clube do Choro.

Grandes flautistas da cidade, dentre os quais Bené da Flauta, Beth Ernest Dias e Sérgio Moraes subiram ao palco para homenageá-lo e o conjunto Choro Livre acompanhou os músicos e algumas “canjas” do Mestre. Foto: Maythe Souza.
Foram três dias de apresentações. Na época, uma das fundadoras do Clube do Choro rasgou elogios ao flautista. ""Não tenho dúvida que, depois de Pixinguinha, Altamiro Carrilho foi o melhor flautista que ouvi. Ultimamente, tenho voltado aos discos dele e fico impressionada com a técnica que criou para tocar o instrumento", afirmou Dolores Tomé.



Casa lotada, discípulos reverentes, público vibrante, música de primeira e intensas emoções marcaram, por três noites memoráveis, a presença jovial, empática e extremamente bem humorada de Altamiro Carrilho pelo Clube do Choro de Brasília.



MEMÓRIA - MOMENTOS INESQUECÍVEIS DE ALTAMIRO CARRILHO. ASSISTA:

ALTAMIRO CARRILHO, UMA LINDA HISTÓRIA!
 - Do musicosdobrasil.com.br - 



Altamiro Carrilho viveu a vida como se, desde o primeiro movimento, ela fosse escrita em um pentagrama. 
Sua mãe se chamava Lira, o símbolo da música. Em todos os aspectos, familiares e geográficos, sua trajetória sempre esteve ligada à música. “Eu sou descendente de uma família pelo lado materno em que todos eram músicos, desde o meu tataravô. Bisavô, avós, tios, primos...”.



Com a simplicidade de quem se diz um homem do interior, Altamiro narrou sua história como que improvisando na flauta. “O meu tio mais velho era o maestro da banda 'Lira Árion'. Os outros cinco músicos eram seus irmãos. Então, eu fui criado no meio de músicos e de música: morava perto da sede da banda, assistia aos ensaios... E fui me entusiasmando pelos sons dos instrumentos, diferenças de timbre, altura, afinação, a forma como meu tio conseguia harmonizar aquilo tudo, dirigir. Se um músico errava uma nota, ele dizia, o trompete trocou a nota aí, aquela coisa. Eu fui criado dentro desse clima e, aos nove anos de idade, já estava tocando caixa tarol na banda. Tocar percussão ajudou muito na minha trajetória”.



A primeira flauta foi um presente de Natal. “Com cinco anos de idade comecei a tocar uma flautinha de lata que Papai Noel trouxe pra mim”.



A destreza que o filho exibiu na flautinha de lata convenceu os pais de que o talento precoce de Altamiro precisava ser lapidado com aulas. Mais uma vez o destino bateu à porta de Altamiro, como que compondo outro compasso dessa vida musical.



“Eu comecei a fazer as minhas próprias flautinhas: serrava perto do ombro do bambu, deixava toda a parte aberta, e ia furando com um ferro quente. Furava e tocava, tirava uns sons agradáveis tocando sozinho em casa. Nessa época, eu morava em Niterói. Um dia, o carteiro que entregava a nossa correspondência parou, deu as cartas pra minha mãe e de repente perguntou: ‘Que som bonito! Quem toca flauta aí na sua casa?’. Minha mãe respondeu: ‘Não é flauta profissional não, é uma flautinha de bambu, o meu filho mesmo que faz e tal, assim, assim’... O carteiro pediu para me conhecer. E lá vim eu com a flautinha na mão, menino, onze anos por aí... O carteiro me perguntou se eu queria estudar flauta. Eu disse quero, e ele começou a me dar aulas gratuitas. Ainda emprestava a flauta transversa dele para que eu estudasse. Em casa, eu me virava com a flautinha de bambu mesmo”.



Nas aulas gratuitas que recebia do carteiro, aprendeu pela primeira vez a teoria musical. Altamiro se empenhava, embora tivesse pouco tempo para estudar já que, além de freqüentar a escola, ainda trabalhava na farmácia do tio. Foi nesse emprego que ele conseguiu economizar parte do salário para comprar o primeiro instrumento.



“Era uma flauta velha, mas muito velha, eu acho que era de milésima, ou coisa parecida, toda amarrada de elástico, as molas quebradas, destemperadas, sapatilha rasgada...”.



A necessidade de consertar a flauta, certamente revelou a Altamiro alguns segredos do instrumento. “Foi uma luta, eu tive que fazer uma coisa de cada vez, sapatilha, as molas e o elástico. Quando eu não consegui mais dinheiro para mudar todas as molas, que era o mais caro, tinha que desmontar o instrumento. Então, eu fui amarrando com elástico, desse elástico que os bancos usam pra amarrar dinheiro, e ali eu fui amarrando as chaves pra substituir a nota”.



Com a flauta remendada, Altamiro resolveu ganhar o mundo. A porta de entrada foram os programas de calouros. Venceu todos de que participou até chegar ao maior desafio que músicos promissores poderiam enfrentar nos anos de ouro do rádio brasileiro. “Eu disse: agora vai ser a prova final e me inscrevi no ‘Calouros em Desfile’, de Ary Barroso , que não perdoava nada. Já havia oito semanas que ninguém ganhava o primeiro prêmio. Eu, quando eu ouvi pelo rádio que estava acumulado, sete semanas em que ninguém conseguia o primeiro prêmio e tal, já ia pra oitava semana, eu me inscrevi, com a coragem mesmo de um gigante, mas tranqüilo. Eu estudei com afinco a semana inteira, o professor, o carteiro Joaquim Fernandes, deixou a flauta comigo... Ele acreditava em mim, me incentivava muito, me orientava, ‘Olha, está quase bom, aqui nesse trechinho você deveria tocar um pouquinho mais suave, para aparecer o grave, sair mais bonito e mais exótico, fica um som fica ainda mais exótico, um som imitando os indígenas’.



A peça escolhida por Altamiro foi uma música de Dante Santoro . “Era a ‘Harmonia selvagem’, uma música difícil de executar, mas eu tinha uma facilidade no dedilhado incrível, uma coisa espontânea, ninguém me ensinou técnica de sopro, de embocadura, de nada, eu descobri tudo sozinho. Então, eu fui ao programa do Ary Barroso , fiz uma prece, disse ‘pé na tábua Altamiro, agora é sua vez’. Comecei a tocar, estava indo bem quando, de repente, no meio da música, arrebentou um dos elásticos que suspendia a nota que dava o fá sustenido. O fá sustenido falhava toda vez que eu tocava, as outras notas todas limpas, as dificuldades todas vencidas, só falhando no fá. Ary Barroso  percebeu: ao invés do gongo que ele teria dado a outra pessoa qualquer, ele me deixou continuar até o fim. Eu terminei, o auditório aplaudiu muito, aquela coisa toda, e Ary disse assim: ‘Meu filho vem cá’ - com aquele jeito dele -, ‘você só falhou uma determinada hora e tocou a música maravilhosamente, você tocou bem, essa música é difícil... Aí eu contei rapidamente a minha história, ele me olhou e foi falando: ‘Isso é uma porta de lavanderia, isso não é uma flauta... Eu vou fazer uma coisa, vou te dar uma nova oportunidade, vai lá pra dentro, se acalma um pouco, relaxa um pouco e você vai voltar ao programa pra tocar novamente essa mesma música. Ô contra-regra, arranja aí um elástico pro garoto’. Ele me arrumou um elástico, eu consertei a flauta”.



Altamiro foi o último finalista a ser chamado para se apresentar. Ary, de forma proposital deixou o garoto para encerrar o programa.



“Ele me chamou com toda alegria: ‘e agora o garoto da flauta amarrada de elástico’. O auditório me recebeu como se eu fosse um profissional. Aí é que foi também a minha surpresa maior, porque eu toquei limpo, mas limpo, parecia uma gravação. Até o conjunto de Rogério Guimarães, na época, que era o conjunto dele que fazia o programa, me aplaudiu. Quando olhei, fiquei feliz com aquilo, aquela reação geral até dos músicos”.



A reação da platéia e dos músicos antecipou o final do concurso: Altamiro Carrilho levou para casa uma pequena fortuna.



“Era muito dinheiro, oito prêmios acumulados. E foi um incentivo incrível: com o dinheiro deu para comprar uma flauta decente. Não preciso nem dizer que foi a primeira coisa que eu fiz... Aliás, segunda, a primeira foi encher a dispensa, que a dispensa não tava lá muito boa. Serviu para ajudar meus irmãos já que o meu pai estava doente na época... Daí por diante eu fiquei muito animado, em todo lugar que eu ia era muito aplauso... Foi assim que o Moreira da Silva me descobriu”.



Moreira da Silva precisava de acompanhamento de bandolim e flauta para fazer as introduções de suas músicas e chamou o menino Altamiro.

“Eu avisei que era amador, mas o dono do conjunto disse que não fazia mal porque eu tocava muito bem. Tinha 14 anos quando entrei pela primeira vez num estúdio de gravação. Era o estúdio da Odeon, na Rua Visconde de Mário Bloch, uma rua na Lapa. Lá estava eu no meio de profissionais, o melhor conjunto do Brasil, o conjunto de Benedito Lacerda . Benedito já estava bem doente, eu fui o substituindo devagarzinho. Moreira da Silva conversou com Benedito pelo telefone, explicou que queria dar oportunidade a um novo flautista, que era um talento, ele não ficou aborrecido. Gravei, agradei, o diretor da fábrica me apresentou a outro diretor da fábrica, o outro me deu um cartão pra eu ir a outra, enfim, todos colaboraram pra que eu conseguisse gravar o primeiro disco. Aí engrenou”.



Nos primeiros anos de estudo com seu Joaquim, Altamiro estudou pelo “Método de Garibaldi”, especial para solfejo. Quando, com a mesma sorte e oportunidade dos anos iniciais, encontrou seu segundo professor, as aulas ganharam um ritmo bem mais intenso. “O Moacir Lisserra, da Escola Nacional de Música, me recebia em casa, porque não tinha tempo para me dar aulas lá no Conservatório. Ele marcou uma vez por semana para eu ir até a casa dele, lá em Santa Teresa. Pegava aquele bondinho, ia lá, e o Moacir, ao invés de me dar uma aula de meia hora, quarenta minutos, dava uma aula de três horas. Detalhe: não recebia um tostão, não queria receber pelas aulas, eu disse, ‘mas por que professor, assim eu fico encabulado, fico sem jeito’. E ele encerrou o assunto falando ‘você merece, quando eu peço pra você estudar uma página, você estuda três, me trás três páginas ao invés de uma, isso é muito bom pra você e pra mim, porque você vai sair fora desses estudos muito rápido’”.



Logo depois, Altamiro, inquieto, curioso e ousado, foi procurar o mais conhecido e respeitado dos flautistas brasileiros dos anos 1930 e 40: se não ganhou aulas, ganhou novas oportunidades. “Eu fui agradecer ao Benedito Lacerda  por ele ter permitido que eu gravasse no lugar dele, e acabei o substituindo num conjunto famoso que era do Canhoto  (Waldyro Tramontano), mas essa é outra história...”.



“Além de Moacir Lisserra, que era o mais famoso professor da época, estudei com Celso Woltzenlogel , que até editou um método recentemente (n. e.: “Método Ilustrado de Flauta”, Ed. Irmãos Vitale); com Ari Ferreira, primeiro flautista da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal. E só assim, professores de primeiríssima linha. Eu procurava porque eu digo ‘bom, o que os outros menores sabem eu também já sei, então tem que puxar o carro à frente’. Até que apareceram umas viagens para o exterior e eu tive aulas com um professor russo. Ele falava um pouco de português, um português espanholado que ele aprendeu com um argentino, ele era professor de flauta da Escola Nacional de Música de Moscou”.



A viagem para o exterior à qual Altamiro se refere foi a que ele fez como integrante de um grupo de músicos patrocinado pelo governo brasileiro. A caravana tinha o objetivo de divulgar nossa música nos Estados Unidos e na Europa. Como já estava se tornando rotina, Altamiro de destacou pela enorme musicalidade e conseguiu novas oportunidades no exterior



“Eu já sabia percussão por intuição, aquilo serviu muito pra mim, com a relação à divisão a percussão ajuda muito. Nas gravações, todo tipo de ritmo diferente eu fazia. Foi aí que, na Inglaterra, uma cadeia de rádio encomendou um disco só de ritmos típicos brasileiros, sem mistura nenhuma. Alguém falou, ‘só quem pode resolver esse abacaxi aí é o Altamiro, que está acostumado com regional, com bandinha, com banda de reco-reco, com o que vier’. Eu fazia porque tinha facilidade para assimilar ritmos. Fizemos então uma gravação com quinze ritmos diferentes, teríamos muito mais pra fazer, trinta, quarenta, mas eles quiseram quinze, os mais significativos que os brasileiros tocavam e curtiam mais, então nós fizemos quinze diferentes. Eu fiz os arranjos lá na hora, distribuí um rascunhozinho pra cada um, manuscrito mesmo, e gravamos. A diretora da rádio gostou tanto, que nos deu um cachê dobrado... Isso aí foi uma das passagens bonitas.



Depois, estive pelos Estados Unidos, estive pela Europa quase toda, os principais países da Europa, sempre patrocinado pelo governo brasileiro, que era uma lei Humberto Teixeira, aquela caravana famosa do deputado Humberto Teixeira, do qual nós temos muita saudade (n.e.: Humberto Teixeira, famoso parceiro de Luiz Gonzaga, foi deputado federal e, em 1958, conseguiu aprovar no Congresso Nacional uma lei para que o governo federal patrocinasse viagens de caravanas de músicos brasileiros para divulgar a música brasileira no exterior. Entre os músicos dessas caravanas estavam Waldir Azevedo , Sivuca  e Leo Peracchi)”.



Altamiro tocou com os maiores músicos do mundo, populares e eruditos, e diz que aprendeu muito com eles. Mas um merece um comentário especial.



“Tem um que eu admirava muito e no fim ele passou a ser meu admirador também, ficamos amigos como pai e filho: foi Benedito Lacerda . Tem até uma história interessante: eu já estava na Rádio Tamoio, ele me ouviu e disse para a esposa: ‘- Ô Ondina, eu estou tocando, mas eu não conheço essa música, quando foi que eu gravei essa música?’. A esposa respondeu ‘não, meu querido, não é você não, quem está tocando é um garoto que se chama Altamiro Carvalho, não entendi bem o sobrenome, mas é Altamiro o primeiro nome, ele é do regional de Cesar Moreno, não é solista conhecido não’. Benedito então comentou, ‘mas ele tá muito parecido comigo, eu não me conformo com isso!”. Quando terminou a música o locutor falou, ‘vocês acabaram de ouvir, com o conjunto de Cesar Moreno e Altamiro Carrilho na flauta, a música x’... Ele não agüentou: vestiu um blusão, tirou o carro da garagem, e foi lá na Rádio Tamoio me conhecer pessoalmente. Dali em diante a nossa amizade foi aumentando cada vez mais, até eu freqüentar a casa dele num determinado dia da semana. A gente tomava lanche, aí ele escolhia uma música pra duas flautas e tocava junto comigo.

O nosso estilo era idêntico, eu gostava do estilo dele, então procurava fazer uma imitaçãozinha discreta. Isso eu quero deixar bem claro, eu estava procurando o meu caminho, mas o caminho mais curto seria puxar o estilo dele que era o melhor de todos, mais alegre, ele tocava com muita disposição, com muita alegria, embora não fosse um técnico, não era um concertista, mas era o músico popular mais respeitado”.





Discografia de Altamiro Carrilho


Juntos (2002) (participação/Dois no Choro, EUA)

Millenium (2000)

Flauta Maravilhosa (1996)

Brasil Musical - Série Música Viva - Altamiro Carrilho e Artur Moreira Lima (1996)

Instrumental No CCBB- Altamiro Carrilho e Ulisses Rocha (1993)

Cinqüenta anos de Chorinho (1990)

Bem Brasil (1983)

Clássicos em Choro Vol. 2 (1980)

Clássicos em Choro (1979)

Altamiro Carrilho (1978)

Antologia da Flauta (1977)

Antologia do Chorinho Vol. 2 (1977)

Antologia da Canção Junina (1976)

Antologia do Chorinho (1975)

Pixinguinha, de Novo - Altamiro Carrilho e Carlos Poyares (1975)

A flauta de prata e o bandolim de ouro - Altamiro Carrilho e Niquinho (1972)

A furiosa ataca o sucesso (1972)

Dois bicudos (1966)

Altamiro Carrilho e sua bandinha no Largo da Matriz (1966)

A banda é o sucesso (1966)

Choros imortais nº 2 (1965)

Uma flauta em serenata (1965)

Altamiro Carrilho e sua bandinha nas Festas Juninas (1964)

No mundo encantado das flautas de Altamiro Carrilho (1964)

Choros imortais (1964)

Recordar é Viver Nº 2(1963)

Bossa Nova in Rio (1963)

Recordar é Viver nº 3 (1963)

A Bandinha viaja pelo Norte (1962)

Vai Da Valsa (1961)

Desfile de Sucessos (1961)

O melhor para dançar - Flauta e Órgão (1961)

Era só o que flautava (1960)

A bordo do Vera Cruz (1960)

Parada de Sucessos (1960)

Chorinhos em desfile (1959)

Dobrados em desfile (1959)

Boleros em desfile nº 2 (1959)

Altamiro Carrilho e sua bandinha na TV - nº 2 (1958)

Homenagem ao Rei Momo (1958)Boleros em Desfile (1958)

Enquanto houver amor (1958)

Recordar é viver (1958)

Revivendo Pattápio (1957)

Altamiro Carrilho e sua flauta azul (1957)

Ouvindo Altamiro Carrilho (1957)

Natal (1957)

Altamiro Carrilho e sua bandinha na TV (1957)







VALEU, ALTAMIRO!!!